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Dono do Grupo Wagner defende fim da guerra na Ucrânia


Prigozhin diz que medida é necessária “para as autoridades russas e a sociedade em geral”. Essa é a primeira vez que um aliado de Putin expressa ser a favor do encerramento do conflito. Yevgeny Prigozhin, chefe do Grupo Wagner, tem laços estreitos com o Kremlin
AP Photo
O chefe da organização paramilitar privada russa Grupo Wagner, Yevgeny Prigozhin, causou alvoroço ao defender o fim da guerra na Ucrânia. O líder do grupo mercenário afirmou que seria “ideal” a Rússia declarar neste momento que os objetivos da operação militar foram cumpridos. Essa é a primeira proposta pública do tipo feita por alguém próximo do presidente russo, Vladimir Putin.
“Para as autoridades [russas] e a sociedade em geral, é necessário pôr um ponto final na operação militar especial”, escreveu Prigozhin num artigo publicado no Telegram na sexta-feira (14/04), em referência ao modo que Moscou chama a guerra na Ucrânia. O ideal, segundo ressaltou, seria “anunciar que a Rússia alcançou os resultados que buscava e, de certa forma, nós conseguimos”.
“Em teoria, a Rússia já pôs um ponto final aniquilando grande parte da população masculina ativa da Ucrânia e intimidando outra parte, que fugiu para a Europa”, alegou o chefe do Wagner.
Prigozhin enfatizou que a Rússia conseguiu tomar o Mar de Azov e grande parte do Mar Negro, se apoderou de um “pedaço suculento do território ucraniano” e criou um corredor terrestre para a península da Crimeia, anexada por Moscou em 2014. A Rússia, segundo ele, deve “fortificar-se e agarrar-se com unhas e dentes aos territórios que já possui” e não chegar a qualquer tipo de acordo com a Ucrânia.
“E se sairmos mal dessa luta, nada acontece. As regiões fortificadas da Rússia não permitirão que eles entrem no território do país”, acrescentou.
Como fundador do grupo Wagner foi de chef de Putin a fornecedor de mercenários para guerra
O líder dos mercenários lembrou que, para a Rússia, há sempre o risco de que a situação no front se deteriore após o início de uma contraofensiva e disse que a única opção no momento é “entrar com tudo”.
Uma declaração de fim de guerra neste momento ficaria aquém dos atuais objetivos do Kremlin, que deseja a conquista completa de quatro regiões da Ucrânia: Lugansk, Donetsk, Zaporíjia e Kherson.
Sem negociações de paz
Na mensagem de 3.329 palavras, Prigozhin se manifestou contra qualquer negociação que significasse que a Rússia deveria devolver os territórios ocupados na Ucrânia. “Moscou não pode aceitar nenhum acordo, apenas uma luta justa. E quando mais cedo começar, melhor”, ressaltou defendendo uma batalha final.
Ao resumir a situação, o chefe dos mercenários observou que os ucranianos estão prontos para uma ofensiva e os russos estão prontos para repeli-la.
“O melhor cenário para a cura da Rússia, para que ela se una e se torne um Estado mais poderoso, é uma ofensiva das Forças Armadas da Ucrânia, que impossibilitaria quaisquer concessões e negociações”, considerou.
Dessa forma, escreveu Prigozhin, “ou as Forças Armadas da Ucrânia serão esmagadas em uma luta franca, ou a Rússia curará suas feridas, acumulará sua força e novamente derrotará seus adversários”.
O Grupo Wagner é uma empresa paramiliar apoiada pelo Kremlin que está atuando ao lado da Rússia na Ucrânia. Atualmente, os mercenários estão focados, principalmente, no combate por Bakhmut, no leste do país, e reivindicam o controle da maior parte da cidade, embora as forças ucranianas contestem o avanço do grupo.
O Grupo Wagner é notório por sua crueldade e táticas brutais no campo de batalha. Ele também demonstrou sua violência fora da frente de combate em vídeos de supostas execuções de mercenários desertores.
Como surgiu o Grupo Wagner?
O Grupo Wagner está sob os holofotes por seu papel na guerra na Ucrânia.
O grupo foi fundado em 2014 e uma de suas primeiras missões conhecidas foi na península ucraniana da Crimeia, naquele mesmo ano, quando mercenários com uniformes sem identificação ajudaram forças separatistas apoiadas pela Rússia a tomar a região.
O que é o Grupo Wagner, de mercenários ligados à Rússia
Após a invasão da Ucrânia pela Rússia, em fevereiro de 2022, Moscou inicialmente usou os mercenários para reforçar as forças da linha de frente, mas, desde então, passou a contar cada vez mais com eles em batalhas críticas, como nas cidades de Bakhmut e Soledar.
A empresa paralimitar, seu dono e a maioria dos seus comandantes foram alvo de sanções dos Estados Unidos, Reino Unido e União Europeia (UE).
Quem integra o Grupo Wagner?
A companhia militar privada Wagner já existia muito antes do início da guerra na Ucrânia e era composta por alguns milhares de mercenários.
Acreditava-se que a maioria deles eram ex-soldados de elite altamente treinados. Mas quando as perdas da Rússia durante a guerra na Ucrânia começaram a aumentar, o proprietário da empresa, o oligarca Yevgeny Prigozhin, ligado ao Kremlin, começou a expandir o grupo, recrutando prisioneiros e civis russos, assim como estrangeiros.
Em um vídeo que circula na internet desde setembro de 2022, Prigozhin é visto no pátio de uma prisão russa se dirigindo a uma multidão de condenados e prometendo que, se eles servissem na Ucrânia por seis meses, suas sentenças seriam comutadas.
Apesar de sua crescente presença na guerra, a eficiência do Grupo Wagner não é clara, com analistas sugerindo que o grupo sofre um grande número de baixas sem fazer avanços significativos.

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