• New Page 1

    RSSFacebookYouTubeInstagramTwitterYouTubeYouTubeYouTubeYouTubeYouTubeYouTubeYouTube  

Venezuelana relata fuga de enchente em Porto Alegre: ‘Soltava a mochila ou a cachorrinha’


Carina Gonzáles conta que teve que deixar a bolsa com todos os documentos para trás para salvar a vida da cadelinha Violeta. A família, agora, aguarda a situação melhorar em um abrigo para poder recomeçar. Venezuelana relata fuga de enchente em Porto Alegre: ‘Soltava a mochila ou a cachorrinha’
Uma família de venezuelanos que mora no bairro Sarandi, em Porto Alegre, que teve que deixar a casa às pressas após a cheia do Guaíba no dia 3 de maio segue com o futuro indefinido e esperando a água baixar para calcular os prejuízos. Javier Velázquez e Carina Gonzáles deixaram o imóvel com tudo dentro, salvando a filha de 11 anos e a cadelinha Violeta.
📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp
Em entrevista à GloboNews, Carina conta que teve que deixar tudo para trás e só deu tempo de reunir os itens pessoais em duas mochilas. No entanto, para salvar a vida de Violeta, teve que abandonar a mochila que estavam com seus documentos.
“Eu tinha duas mochilas e tive que escolher entre soltar a mochila ou a cachorrinha. Eu decidi então soltar a mochila e ficar com ela, que cuido desde muito pequena. Então perdi os meus documentos que estavam na outra mochila”.
Carina e a cachorrinha Violeta em abrigo de Porto Alegre.
GloboNews/Reprodução
Javier conta que a família chegou ao Brasil em 2015, na condição de refugiada. Agora, ele trabalha no ramo da construção e diz que terá que recomeçar do zero.
“Foi muito difícil sair de casa e largar tudo porque saímos da Venezuela por causa de uma crise econômica. Tivemos que vender tudo por lá para começar do zero. Quando chegamos aqui, fomos conquistando. Já moramos na rua e em abrigo”, conta.
Javier Velázquez teve que deixar a casa por causa da enchente que atingiu Porto Alegre.
GloboNews/Reprodução
O Venezuelano conta que a água passou por cima do telhado e que, ao todo, são 12 desabrigados de sua família. Pessoas que moram em casas vizinhas e que também tiveram que deixar os imóveis por causa da cheia.
“A gente só está esperando a água descer para conquistar de novo e eu tenho fé que vamos conquistar tudo de novo, porque Deus vai ajudar a todos. Não é fácil, porque a gente já conquistou muitas coisas. A gente já comprou geladeira, fogão, TV, guarda-roupa, cama, colchão. E vamos ter que começar de novo, do zero”, fala Javier.
Família de venezuelanos em abrigo de Porto Alegre.
GloboNews/Reprodução
Javier conta que não tem noção de como está o imóvel e que ainda está com medo de retornar por temer pela segurança da família.
Refugiados vítimas das enchentes
Das mais de 2,1 milhões de pessoas afetadas pelas enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul após temporais que se estenderam por mais de 10 dias, mais de 35 mil são refugiados que vieram recomeçar a vida no Brasil.
A estimativa é da Agência da Organização das Nações Unidas para Refugiados (Acnur). Segundo a agência, esse é o contingente de pessoas que foram atingidas direta ou indiretamente pela tragédia.
“Estas pessoas informam que perderam casas, pertences e documentos, com negócios e outras atividades de geração de renda destruídos pelas águas”, informa a Acnur.
Conforme o Acnur, o RS é um dos estados brasileiros com maior presença de pessoas refugiadas e migrantes, especialmente venezuelanos e haitianos, muitos deles vivendo em áreas de risco, que agora só podem ser alcançadas de barco.
A Secretaria Estadual de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (SJCDH) estima que o RS abrigue mais de 21 mil venezuelanos que foram realocados de Roraima, na fronteira com a Venezuela, desde abril de 2018.
LEIA TAMBÉM:
Como ajudar as vítimas dos temporais no RS
Saiba como receber alertas e informações úteis de órgãos oficiais
Auxílio para refugiados
A Acnur informa que vem fornecendo apoio técnico para facilitar a comunicação de refugiados ou migrantes para que tenham acesso em seu próprio idioma e a informações oficiais sobre recomendações de proteção e riscos nos lugares onde vivem.
Nos próximos dias, a agência disse que deve auxiliar na emissão de documentos para essas pessoas, caso tenham sido perdidos ou danificados, para garantir que elas continuem a ter acesso a benefícios sociais e serviços públicos.
Ruas de Porto Alegre alagadas em 14 de maio de 2024
Anselmo Cunha/AFP
VÍDEOS: Tudo sobre o RS

Adicionar aos favoritos o Link permanente.