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Bullying nas escolas: como identificar sinais e consequências à saúde da vítima


Morte do adolescente Carlos Teixeira, de 13 anos, em Praia Grande (SP), levanta debate sobre as formas de violência dentro do ambiente escolar. Bullying envolve diversas práticas, como ameaças, agressões físicas e verbais e exclusão
G1
O bullying é definido pela Lei 14.811/24 como ato de intimidar, mediante violência física ou psicológica, de modo intencional, repetitivo e sem motivação evidente. Embora práticas de humilhação e discriminação sejam comuns, estas só costumam ganhar destaque diante de fatos extremos, como a morte de Carlos Teixeira, de 13 anos, dias após ser agredido na escola em Praia Grande (SP). O g1 ouviu especialistas que explicam como identificar o problema para combatê-lo
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Carlos morreu no dia 16 de abril, uma semana após estudantes pularem sobre as costas dele dentro da Escola Estadual Júlio Pardo Couto. Os sintomas do adolescente se intensificaram no dia 15 e o pai decidiu levá-lo à UPA Central de Santos (SP), onde ele precisou ser internado. No dia seguinte, foi transferido para a Santa Casa e morreu após três paradas cardiorrespiratórias.
De acordo com Ana Paula Siqueira, presidente da associação sem fins lucrativos SOS Bullying, as vítimas nas escolas podem ser crianças, adolescentes e os próprios professores, que muitas vezes são atacados nos grupos de WhatsApp pelos pais dos alunos.
Há comportamentos que podem ajudar a família a identificar sinais de bullying na vivência escolar dos jovens. É importante observar se o apetite mudou, se a pessoa está mais isolada ou demonstrando ser excluída pelos colegas. A queda de rendimento escolar é mais um motivo de alerta.
Problemas emocionais e físicos
A neuropsicóloga Marina Drummond disse ao g1 que a primeira reação da vítima de bullying é desenvolver ansiedade. O sentimento cresce ao longo do tempo e, com a frequência dos episódios, a pessoa começa a viver em estado de alerta.
A maioria dos casos é motivado por preconceitos, sobretudo o racial ou social. Quando o bullying atinge um nível que esgota os recursos da vítima, e ela não recebe o devido apoio, tende a desenvolver uma depressão que, agravada, também pode levar a pessoa a atentar contra a própria vida.
“Muitas crianças chegam a ter episódios de pânico. E isso é muito difícil de lidar, porque a primeira impressão que dá é de que a criança está tendo um problema cardíaco. Aí vai no hospital e o coração está funcionando bem”, relatou.
Segundo ela, a pessoa com depressão ou ansiedade acaba liberando mais cortisol no organismo, e pode começar a desenvolver gastrite, ter crises de asma, doenças de pele e outras manifestações físicas. É o que a psicologia chama de doenças psicossomáticas.
Bullying, criança em escola esconde o rosto com as mãos
Mikhail Nilov/Pexels
Na lei
A Lei 13.185, de 2015, que instituiu o Programa de Combate à Intimidação Sistemática, já previa a figura do bullying determinando que escolas, clubes e agremiações recreativas assegurem medidas de conscientização, prevenção, diagnóstico e combate à violência e à intimidação sistemática.
No início de 2024, foi sancionada a Lei 11.841/2024. Conforme a medida, o bullying pode ensejar pena de multa; já o cyberbullying – quando ocorre no ambiente virtual –, reclusão de dois a quatro anos e multa, se a conduta não constituir crime mais grave.
De acordo com Ana Paula Siqueira, as escolas devem ter um programa de combate ao bullying por meio de ações educativas, planos de prevenção e outras políticas.
Em casos de agressão, a unidade de ensino pode responder civilmente por danos morais e materiais junto com os pais do agressor. Com o objetivo de ajudar nas denúncias, ela ressaltou que a escola deve disponibilizar um canal anônimo que facilite a posterior tomada de providências.
Ciclo de violência
Para Marina, os alunos que praticaram as agressões contra Carlos levarão essa marca pelo resto de suas vidas. O foco precisa ser encerrar esse ciclo de vingança e violência.
“Eles precisam de suporte, de muito apoio, de muita psicoterapia, porque são vítimas de um sistema desigual, que vive da desigualdade, se alimenta de violência. […] em que medida eles também foram vitimas de violência e aprenderam a se ‘defender’ sendo violentos?”, questionou.
Ana Paula ressaltou também que os pais devem levar a sério reclamações apresentadas pelos filhos. Não devem tratá-las como meras brincadeiras e prestar atenção ao que elas têm a dizer.
Polícia Civil investiga morte
Vídeo mostra adolescente sendo agredido em escola no litoral de SP
A Polícia Civil começou a ouvir funcionários e estudantes da Escola Estadual Júlio Pardo Couto. A vice-diretora da escola estadual foi até o 1° Distrito Policial de Praia Grande e foi ouvida. Segundo a Polícia, o depoimento pouco acrescentou as investigações.
Um estudante que agrediu Carlos, no dia 19 de março, antes de outros estudantes pularem em cima dele, também foi ouvido na delegacia. Ele afirmou não conhecer o rapaz que agrediu o menino em 9 de abril, a última agressão antes da morte.
A Secretaria de Educação do Estado foi oficiada para que o diretor e professores, principalmente, os que davam aulas na sala do Carlos, sejam ouvidos. O pai do menino prestou depoimento na terça-feira (23).
A Polícia Civil espera o laudo da perícia para definir a linha de investigação. Os policiais apuram se houve de um homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de matar.
O estudante sofria bullying com frequência e já tinha sido agredido em outras oportunidades. Um vídeo obtido pela equipe de reportagem mostra um dos episódios em que o garoto foi vítima dentro da unidade escolar (assista acima). Após o caso vir à tona, Tatiane Boeno, mãe de um aluno de 14 anos da mesma escola, disse que o filho já foi espancado também.
Centro de Valorização da Vida
O Centro de Valorização da Vida (CVV) de Santos, no litoral de São Paulo, presta serviço voluntário gratuito de apoio emocional e prevenção ao suicídio para pessoas que querem e precisam conversar sob total sigilo.
As principais frentes de atuação são: apoio emocional (atendimento por telefone, e-mail, chat e presencialmente) e atuação na comunidade, por meio de ações de autoconhecimento, com capacitações, cursos, rodas de conversa e de escuta.
Os voluntários atendem pelo telefone 188. Também é possível conversar via e-mail e chat através do site www.cvv.org.br, ou até pessoalmente, na Rua Campos Melo, 189, no bairro Vila Mathias. O local funciona 24h.
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