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O monumento ao aniversário do Rio que muito carioca acha que é um túmulo ou o marco zero


No dia que o Rio completa 459 anos, o g1 desfaz mitos e desvenda segredos da pirâmide fincada no Aterro do Flamengo. Conheça os segredos do Monumento a Estácio de Sá
O Rio de Janeiro completa nesta sexta-feira (1º) 459 anos. Em 1973, a data passou a ser lembrada com a inauguração do Monumento a Estácio de Sá, uma pirâmide em homenagem ao militar português que em 1565 fundou a cidade.
A estátua era um pedido dos cariocas desde 1965, quando dos festejos do 4º Centenário, e foi até tema de marchinha de carnaval.
Muito carioca acha que sob o obelisco está o corpo do militar, mas a estátua não é um túmulo. Os restos mortais do fidalgo repousam na Basílica de São Sebastião dos Frades Capuchinhos, na Tijuca.
Até tentaram o traslado, mas o máximo que conseguiram foi uma réplica da lápide.
Outra ideia errada é que o monumento representa o marco zero da cidade. Ficou curioso? Veja os detalhes que o g1 levantou.
Monumento a Estácio de Sá, no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro
Reprodução/TV Globo
Não é marco zero
O Rio de Janeiro não nasceu no Flamengo, mas atrás do Pão de Açúcar, na Urca, perto de um rochedo que Estácio de Sá chamou de Cara de Cão.
O local onde o português desembarcou é a hoje reservada Praia de Fora, dentro do complexo militar da Fortaleza de São João. Lá, sim, existe um totem do Marco Zero.
Se bem que o local escolhido para o monumento a Estácio não muito é longe da Praia de Fora: em linha reta, dá 1,5 km.
Pirâmide não à toa
O projeto vencedor foi do arquiteto e urbanista Lúcio Costa, que desenhou o plano-piloto de Brasília. A pirâmide concebida por Lúcio tem 3 lados, e suas pontas estão viradas para locais importantes do Rio:
o Marco Zero, na Praia de Fora;
o local onde ficava o Morro do Castelo, no Centro da Cidade, para onde a aldeia da Urca se mudou;
e a Praia de Botafogo, por onde o Rio se expandiu.
O obelisco tem 17 metros de altura, mas a base está no “subsolo” do monumento. O piso foi feito de pedras vindas do desmonte, nos anos 1950, de grande parte do Morro de Santo Antônio, onde hoje está o Largo da Carioca.
Ao contrário do Morro do Castelo, totalmente arrasado, o de Santo Antônio ainda tem um pedaço de pé: onde estão a igreja e o convento do casamenteiro.
Ponta da pirâmide voltada para o local onde Estácio de Sá fundou o Rio de Janeiro
Reprodução/TV Globo
1º de março ou 20 de janeiro?
Ainda há quem confunda a data de fundação da cidade com o dia do seu padroeiro. São Sebastião é lembrado todo 20 de janeiro, feriado no Rio de Janeiro.
Mas o aniversário é celebrado no 1º de março, um dia de trabalho comum.
Toc-toc: tem alguém aí?
O jovem Estácio de Sá, sobrinho-neto do então governador-geral do Brasil, Mem de Sá, tinha uma missão: garantir a posse daquela região bem ao sul da capital, Salvador, à Coroa portuguesa.
Até porque havia 10 anos que franceses já estavam por aqui — quem lembra da França Antártica? — e tinham se aliado aos índios tamoios, donos da costa do Sudeste.
Estácio saiu da Capitania de São Vicente, em São Paulo, com 200 homens e no 1º de março de 1565, uma quarta-feira, aportou na praia que dava para o Cara de Cão.
“Ele desembarca da caravela, vem remando contra a maré e chega numa porta que ele mandou colocar [na areia], tirada da própria nau, para simbolizar que ele estava chegando e abrindo a porta da cidade”, narra o historiador Rafael Mattoso.
“Ele chega, bate 3 vezes na porta para mostrar que não havia dono naquela cidade, abre e oficializa a fundação do Rio de Janeiro”, destaca.
Estácio de Sá
Reprodução/TV Globo
Local viveu batalhas
O mar que quase toca o monumento testemunhou guerras que definiram o Rio de Janeiro como conhecemos hoje, e das quais Estácio participou – uma lhe custou a vida.
Foi na Baía de Guanabara e na Enseada de Botafogo que portugueses enfrentaram franceses e sobretudo os tamoios, a quem Paris tinha se aliado.
Duas batalhas se destacam nas águas da Guanabara:
1566, das Canoas: um exército de 180 canoas tamoias lideradas pelo cacique Guaixará orquestrou uma cilada que envolveu 5 batéis (barquinhos) portugueses, sendo que Estácio de Sá estava presente em um deles. A vantagem numérica dos nativos, que disparavam uma enxurrada de flechas, gerou grande pânico nos portugueses. Um deles, ao tentar acionar um pequeno canhão que trazia na canoa, acabou colocando fogo em toda a pólvora disponível, gerando uma explosão. Os tamoios apenas não conquistaram a vitória porque a mulher do cacique advertiu que o incêndio consumiria a todos e, portanto, os nativos deveriam sair rapidamente do local. Os portugueses atribuem essa retirada a São Sebastião, que teria aparecido na fumaça.
1567, de Uruçumirim: confronto em 20 de janeiro em que Estácio de Sá foi atingido por uma flecha no rosto, morrendo um mês depois. A ordem da batalha partiu de Mem de Sá, que veio de Salvador para o Rio a fim de acabar com a resistência tamoia. Para tanto, os portugueses contaram com os temiminós, rivais dos tamoios. Os 3 refúgios dos nativos — na Glória, na Ilha do Governador e em São Gonçalo — foram dizimados, e quem sobreviveu acabou escravizado.
‘Ria de Janeiro’
Na lateral do monumento tem um portão de bronze que mostra o brasão da família Estácio de Sá e um dos primeiros mapas da colonização portuguesa, quando o Rio de Janeiro ainda era chamado de Ria de Janeiro, que significava entrada para um rio.
Existe a Ria de Aveiro, em Portugal, terra dos ovos moles.
O portão dá acesso ao que hoje é uma área administrativa da prefeitura, mas que há algum tempo era um espaço usado para exposições.
Entrada do Monumento a Estácio de Sá
Reprodução/TV Globo

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