Justiça do Rio determina que PM que atirou e acertou menina Ágatha, no Complexo do Alemão, vá à júri popular


Última audiência foi em março do ano passado, quando Ministério Público e a defesa do policial deveriam entregar sua alegações finais. O policial militar acusado de matar a menina Ágatha Félix, de 8 anos, no Complexo do Alemão, em 20 de setembro de 2019, vai à júri popular. A menina estava numa kombi, com a mãe, indo para casa, no Morro da Fazendinha. No trajeto, o PM Rodrigo José de Matos Soares atirou em pessoas que estavam em uma moto, achando que eram bandidos, e acertou a criança com um tiro de fuzil.
O inquérito da Polícia Civil apontou que o tiro que acertou a menina partiu da arma do PM. Rodrigo foi denunciado pelo Ministério Público do Estado (MPRJ) em dezembro de 2019 por homicídio qualificado. Ele foi afastado das funções, mas só começou a ser julgado em fevereiro do ano passado.
Entenda como foi a morte da menina Ágatha
Segundo a decisão d última quarta-feira (12) e assinada pelo juiz Cariel Bezerra Patriota, “restando provada a materialidade delitiva e havendo indícios razoáveis de autoria, pronuncio o acusado Rodrigo José de Matos Soares, que seja submetido a julgamento pelo Tribunal Popular”, destacou o magistrado.
O procurador da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ, Rodrigo Mondego, destacou que essa “sentença é um marco histórico na luta contra a violência em território de favela”.
Kombi onde Ágatha Félix estava quando foi atingida no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro
Reprodução/ TV Globo
“Infelizmente, é muito difícil chegar à autoria em casos de operações policiais que vitimizam inocentes, quando ocorrem em favelas do estado do Rio. É mais difícil ainda e muito mais raro acontecer o autor desse tiro ir para júri popular. Só essa sentença já é um marco histórico nessa luta contra a violência policial em território de favela. É uma vitória da civilização contra a barbárie”, destacou.
O homicídio da Ágatha motivou a criação da Lei Ágatha, em 2019, que garante prioridade na investigação contra crianças e adolescentes no Rio.
“Precisa chegar ao final, precisa ter uma conclusão. Precisa ter e eu estou e vou continuar aqui. Eu falo: ela estaria muito orgulhosa de mim. Então, por isso que eu não desisto. Por isso que todos os dias eu não desisto”, diz Vanessa Salles, mãe de Ágatha.

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