Mulher que agrediu entregadores, no Rio, falta ao depoimento na delegacia


O Conselho Regional de Nutrição repudiou a atitude da nutricionista Sandra Mathias Correia de Sá. A Prefeitura suspendeu o alvará de funcionamento da escola de vôlei que ela mantinha na praia do Leblon. Nutricionista não foi à delegacia depor sobre caso de entregadores agredidos
A mulher que agrediu entregadores no bairro de São Conrado, no Rio de Janeiro, não foi à delegacia para depor.
O depoimento da nutricionista Sandra Mathias Correia de Sá estava marcado para as 10h30. Ela não apareceu. Quem chegou à delegacia foi o advogado que apresentou um atestado médico e disse que ela está machucada.
“Vou ser muito claro com você. Quando ela vier, ela vai explicar, mas ela vai explicar”, disse o advogado Roberto Duarte.
É Sandra que aparece nas imagens xingando Viviane de Souza, que trabalha na loja de onde saem as entregas. Ela dá uma mordida na trabalhadora, que se segura na grade. Depois, a moradora parte para cima de Max Ângelo, puxa a camisa dele, tenta derrubá-lo no chão e desamarra a coleira do cachorro – que vira um chicote. Max tenta desviar, mas ela não para.
O Conselho Regional de Nutrição repudiou a atitude da nutricionista. O condomínio onde Sandra mora está pedindo a expulsão dela. A Prefeitura suspendeu o alvará de funcionamento da escola de vôlei que ela mantinha na praia do Leblon.
Max trabalha na informalidade há um ano e meio, desde quando perdeu o emprego que tinha com a carteira assinada. Pai de três filhos, pedala muito para viver.
“Eu saio de casa 7h, 8h, e só chego em casa as 23h. Já cheguei em casa meia-noite. Já passei madrugadas rodando para conseguir fazer uma boa meta”, conta o entregador Max Ângelo Alves dos Santos.
Em frente à delegacia, ele foi consolado pela mãe, Adriana Alves.
“A gente olha essas coisas que acontecem com os outros e nunca acha que vai acontecer com a gente. Mas aconteceu. Aconteceu, mas você vai sair dessa e de cabeça erguida”, diz a auxiliar de serviços gerais ao filho.
O depoimento de Max Angelo estava marcado para a tarde desta quarta. Ele foi à delegacia, mas não depôs. Agora, os investigadores querem ouvir outras duas testemunhas para verificar se cabe uma investigação por injúria racial, crime que tem o mesmo tratamento jurídico do racismo.
“E ela me chamou de preto da favela, ela me chamou de marginal, ela insinuou que eu tenho uma quadrilha. As pessoas precisam entender que esse tipo de coisa é crime e doi”, diz Max Ângelo.
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O depoimento do entregador Max Ângelo à polícia estava marcado para a tarde desta quarta-feira (12). Ele foi à delegacia, mas não depôs. Agora, os investigadores querem ouvir outras duas testemunhas para verificar se cabe uma investigação por injúria racial, crime que tem o mesmo tratamento jurídico do racismo.
As agressões físicas aconteceram depois de ofensas verbais. Cinco dias antes, Max registrou um boletim de ocorrência contra Sandra por injúria.
“Ela me chamou de ‘preto da favela’, que ela me chamou de ‘marginal’, que ela insinuou que eu tenho uma quadrilha. As pessoas precisam entender, certo, que esse tipo de coisa é crime. É crime! E dói”, afirma Max.
Sandra Mathias Correia de Sá
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