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Amazônia Legal lidera mortes no campo; Pará é o segundo mais violento

No Pará, foram cinco assassinatos no ano passado. Entre os casos, o massacre de São Félix do Xingu, sudeste do estado. Amazônia segue como alvo dos conflitos no campo. De acordo com relatório divulgado na segunda-feira (17) pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), em 2022 a região registrou o maior número de assassinatos: 34 das 47 ocorrências, um percentual de 72,35% do total.
No Pará, segundo estado mais violento – atrás de Rondônia e Maranhão que contabilizaram sete mortes cada -, foram cinco assassinatos no ano passado. Entre os casos, o massacre de São Félix do Xingu, sudeste do estado, que vitimou, em janeiro de 2022, José Gomes, o Zé do Lago, de sua companheira, Márcia Nunes Lisboa, e da adolescente Joane Nunes Lisboa.
“São casos que comprovam a violência brutal por meio da qual o agronegócio avança sobre territórios protegidos, e sobre a vida de quem os protege, além da impunidade no campo, já que mais de um ano após o crime os responsáveis não foram identificados”, ressalta o relatório da CPT.
Entre 2013 e 2022, o Pará foi o estado que mais registrou assassinatos decorrentes de conflitos no campo (104), seguido de Rondônia (91) e Maranhão (53).
Na ocasião do lançamento da 38ª edição do relatório, Isolete Wichinieski, da Coordenação Nacional da CPT, destacou que a publicação não apresenta apenas dados de conflitos e violência no campo, mas também traz memórias e histórias dos territórios, das resistências e da identidade desses povos e comunidades. “Esse Caderno traz muito mais que números. É fundamental conhecermos quem são esses povos, onde estão, o que sofrem, aquilo que trazem em seus modos de vida”.
A atividade foi realizada no Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária, Dia Internacional da Luta Camponesa e na data em que se completam 27 anos do massacre do Eldorado dos Carajás. “Hoje é dia de fazermos memória dos 19 trabalhadores que foram assassinados na Curva do S, em Eldorado dos Carajás, no Sul do Pará, e de tantos outros camponeses e camponesas que foram mortos. No ano passado, foram 47 assassinatos no campo, seis foram mulheres. Para muitos, pode parecer pouco. Mas, para nós, significa muito. Enquanto uma pessoa estiver sendo violentada, enquanto estiver ocorrendo violência e morte no campo, é nossa tarefa enquanto Igreja denunciar e dizer que essa realidade precisa ser mudada”, reafirmou Isolete.
Violência na Amazônia
Como nos anos anteriores, em 2022, a Amazônia Legal também lidera os casos de Violência Contra a Pessoa no Brasil, atingindo 64,5% dos conflitos registrados no país em 2022. O total é 39,5% maior do que o registrado em 2021.
De acordo com o relatório, a estabilidade da Amazônia Legal como área em que mais existem ocorrências de conflito relacionadas à terra e à água é reveladora da durabilidade da expansão da fronteira agrícola.
Entre 2011 e 2022, foram identificados 3.145 casos de Violência Contra a Pessoa na Amazônia Legal. Isso corresponde a 64,45% do conjunto de violências dentro da categoria.
O CPT aponta ainda na Amazônia Legal o aumento exponencial de “Morte em Consequência”. Das 113 contabilizadas, 110 foram na região amazônica, em decorrência da política genocida contra os Yanomami nos últimos quatro anos. É também expressivo o crescimento das tentativas de assassinatos e ameaças de morte entre 2021 e 2022. A primeira passou de 28, em 2021 para 87 em 2022 (aumento de 210,7%), e a segunda, de 57 para 127 (aumento de 122,8%).

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