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Famílias de presos em El Salvador denunciam injustiças; ativistas estimam que pelo menos 21 mil sejam inocentes


‘Os pobres eram vítimas das quadrilhas. Agora, com o regime de exceção, são vítimas do Estado. Com tantas pessoas na cadeia, muitas crianças estão crescendo sem pai, sem mãe’, afirma especialista de direitos humanos. Casal de bairro humilde de El Salvador diz que os 3 filhos foram presos sendo inocentes
El Salvador já foi considerado um dos países mais violentos do mundo. O país da América Central, que acaba de reeleger seu presidente, Nayib Bukele, com mais de 80% dos votos. conseguiu reduzir sua taxa de homicídios de 107 para cada 100 mil habitantes em 2015 para apenas 2,4 após a adoção de uma série de medidas extremas, entre elas, um regime de exceção que já dura dois anos para combater as facções criminosas.
O Fantástico foi ao país para ver de perto essas mudanças e conversou com muitos moradores que comemoram, mas também encontrou famílias que denunciam injustiças.
Em Colônia Montreal, bairro humilde da cidade de San Salvador, um casal diz que teve três filhos presos e garante que eles são inocentes – dois deles são menores de idade e estavam em casa.
“Cercaram minha casa como se eles fossem grandes delinquentes. Os meninos estavam dormindo. Um deles tinha deixado a lição de casa em cima da mesa da sala”, conta a mãe, a dona de casa Blanca Tepas.
“Minha esposa me avisou de madrugada que a polícia tinha levado meus dois filhos menores, de 15 e 17 anos. Uma hora depois, prenderam meu filho mais velho, de 24 anos, no hospital, acompanhando o parto da mulher. A mesma patrulha que ajudou a gente, levando o casal para maternidade, acabou prendendo meu filho. Os três moravam aqui; estudavam e trabalhavam o dia todo. No fim de semana, me ajudavam no cultivo de feijão e milho. Nem tinham tempo de andar por aí vadiando”, afirma o pai, o agricultor José Francisco Arévalo.
El Salvador tem 6,3 milhões habitantes. Desde que começou o regime de exceção, 78 mil pessoas foram presas – maior porcentagem de encarceramento do mundo – e ativistas de direitos humanos estimam que pelo menos 21 mil desse total sejam inocentes.
Motivos de prisão no regime de exceção de El Salvador
Fantástico
O regime de exceção é tão duro que uma pessoa pode ser presa qualquer banalidade, tipo:
ficar nervoso na abordagem policial
ter tatuagens, mesmo que não sejam das facções
ser delatado no Disque Denúncia
praticar “agrupações ilícitas”, uma expressão genérica que pode significar qualquer coisa
Uma vez levado, o cidadão desaparece no sistema prisional e sobra para família tentar encontrar. Como os presos são pobres, não podem pagar advogado. Na Defensoria Pública, os parentes madrugam na fila.
“Meu filho está na cadeia há dois anos. Não tem antecedentes criminais. Simplesmente o levaram, sem dizer por quê. Não posso mais viver sem ele. Ele trabalha, me ajuda nas contas de casa”, lamenta a mãe de um preso.
Famílias de presos em El Salvador tentam atendimento na Defensoria Pública para inocentar os parentes
“A prisão do meu filho foi um abuso de autoridade. Um jovem de 23 anos, trabalhador, empreendedor. Foi parado pela polícia na rua e o levaram porque tinha tatuagens, mas são artísticas. Eu tenho os diplomas dos cursos de mecânico de máquinas que ele fazia, tenho um abaixo-assinado dos vizinhos dizendo que é trabalhador e uma carta do chefe dele, elogiando que era um moço ético e dedicado”, revela a mãe de outro jovem preso.
A especialista em direitos humanos, Zaira Navas, diretora da ONG Cristosal, afirma:
“Os pobres eram vítimas das quadrilhas. Agora, com o regime de exceção, são vítimas do Estado. Com tantas pessoas na cadeia, muitas crianças estão crescendo sem pai, sem mãe… Se o governo não implantar programas sociais duradouros, se ficar só na repressão, esses jovens vão ser recrutados por novas organizações criminosas, porque os problemas de base continuam. São econômicos, políticos, sociais e culturais”.
Veja a reportagem completa abaixo:
O Fantástico mostra o controverso plano de combate ao crime de El Salvador
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