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Pesquisa que pode contribuir para tratamento de casos graves de dengue avança na UFMG


Estudo descobriu proteína que funciona como ‘freio’ para a inflamação desencadeada pela doença, mas financiamento está garantido apenas até setembro. Mosquito transmissor da dengue
National Institute of Allergy and Infectious Diseases/ Unsplash
Uma pesquisa que pode contribuir para a identificação e o tratamento de casos graves de dengue está avançando na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em um momento que várias partes do Brasil vivem uma epidemia da doença. Na última semana, o país ultrapassou a marca de 1 milhão de casos prováveis e confirmados em 2024.
O estudo começou a ser desenvolvido em 2015, e os primeiros resultados foram publicados na revista internacional eLife em 2022. Na época, pesquisadoras do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) descobriram que a proteína Anexina A1 funciona como um indicador da gravidade da dengue e também como um “freio” para a inflamação desencadeada pela arbovirose.
Nos casos mais graves, os índices da proteína são mais baixos. Além disso, testes realizados com camundongos mostraram que os animais que receberam uma porção ativa da Anexina A1 desenvolveram formas mais leves da doença.
Agora, segundo a professora adjunta do Departamento de Morfologia do ICB Vivian Vasconcelos Costa, a pesquisa está em outra etapa, que busca responder qual a melhor formulação da proteína.
“Geralmente, as proteínas degradam muito rapidamente no nosso corpo. Então, nós estamos formulando essa proteína para ela durar mais tempo. Estamos encapsulando para que ela fique protegida e libere mais devagar, aumentando a biodisponibilidade. Quando comparamos com a proteína ‘pura’, já vimos que a encapsulada tem efeitos mais duradouros e melhores”, explicou Vivian, que é uma das coordenadoras da pesquisa.
De acordo com a professora, o estudo também está avaliando a melhor forma de administração da molécula.
“Para o paciente, geralmente o comprimido é melhor, ninguém quer ficar tomando injeção. Mas, pela veia, o medicamento chega mais rápido no sangue do que pela cápsula. A gente fica comparando as vias de administração”.
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Desafios
Os testes estão sendo feitos em animais. As pesquisadoras buscam empresas interessadas na produção da proteína em larga escala e de investimento para a evolução dos estudos e a viabilização dos testes em humanos.
Segundo Vivian, a pesquisa tem financiamento garantido apenas até setembro, e esse não é o único desafio.
“Desenvolver pesquisa é caro, a gente precisa de financiamento sempre, e temos que convencer a indústria de que vale a pena investir. Também temos dificuldades grandes de importar insumos no Brasil, tudo é muito burocrático. Às vezes preciso de um reagente que vem de fora e demora três meses pra chegar, o que acaba atrasando o processo”, explicou.
Em 2020, Vivian Costa recebeu o prêmio do programa Para Mulheres na Ciência com esse projeto
Arquivo Pessoal
Avanço inédito
Não existe tratamento específico para a dengue. As recomendações para os pacientes incluem ingestão de líquidos e repouso.
Por isso, o desenvolvimento de uma molécula capaz de atuar como terapia seria um avanço inédito e importante, sobretudo em um cenário como o atual.
“Precisamos de medicamentos que nos ajudem a minimizar a superlotação das unidades de saúde. Se a gente sabe que tem um medicamento que funciona, às medida que pacientes graves vão chegando, a gente consegue ir tratando. Isso permite que as pessoas tenham alta mais rápido e, consequentemente, significa menos mortes”, afirmou a professora Vivian Costa.
Somente neste ano, mais de 1,03 milhão de casos de dengue, prováveis e confirmados, foram registrados no Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde. Ao todo, 258 mortes foram confirmadas.
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