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Faculdade de medicina utiliza realidade virtual para aumentar bem-estar dos pacientes


Alunos da UNIRIO que idealizaram o projeto gostariam de vê-lo adotado no SUS Era uma vez dois amigos de infância que, além de adorar jogar videogames, quando cresceram passaram a compartilhar a paixão pela medicina. Acabaram estudando na mesma faculdade, a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), e ali descobriram que sua afinidade com a tecnologia poderia ser aproveitada para proporcionar bem-estar aos pacientes. A história tem final feliz: a ideia foi acolhida por um professor e apoiada pela direção da instituição. Agora sonham alto: querem levar a experiência para outras universidades – e por que não? – para o Sistema Único de Saúde.
Geovani da Silva Moreira usa óculos de realidade virtual e passeia por Nova York, sob a supervisão de João Guilherme Hazin
Mariza Tavares
Vamos aos personagens de carne e osso: Lucas Campos, hoje cursando pós-graduação em neurologia, e João Guilherme Hazin, que se forma no fim do ano, propuseram, em 2020, a utilização da realidade virtual (RV) para pacientes idosos e acamados. Para embasar a proposta, buscaram pesquisas na área e descobriram que a York University, em Toronto (Canadá), desenvolvia um trabalho específico com pessoas mais velhas com bons resultados. A “fada madrinha” foi o professor de clínica médica e gerontologia Max Fakoury, que conseguiu o apoio da reitoria de extensão. Em 2021, um grupo de alunos dava início a sessões semanais na enfermaria do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle, pertencente à UNIRIO.
“Usamos o acervo de realidade virtual do YouTube, selecionando vídeos que contribuam para o estímulo cognitivo, a estimulação social e entretenimento. Mas são os pacientes que decidem o que ver. Há quem queira visitar Paris, mas também já tivemos pedidos para uma imersão no Sambódromo, durante o desfile das escolas de samba, e num Fla x Flu. Uma idosa disse que queria surfar; o sonho de outro era visitar o Santuário de Nossa Senhora de Aparecida”, conta Campos.
Tudo isso foi possível graças aos óculos de realidade virtual, que transportam a pessoa para o lugar escolhido. Foi o que fez Geovani da Silva Moreira, em tratamento para se curar de um linfoma, que quis passear por Nova York. Embora debilitado, divertia-se reconhecendo locais como a estátua da Liberdade, Wall Street e o metrô da cidade. Os alunos espelham o ambiente num tablet e conversam com o paciente sobre o que ele está vendo. Há questionários para avaliar seu estado psicológico antes e depois da imersão e diversos projetos de pesquisa estão em andamento. O mais adiantado se propõe a medir o grau de bem-estar provocado pela experiência – até a percepção da dor se altera, tornando-se mais aceitável. Há ainda um estudo dedicado ao efeito da realidade virtual na espiritualidade dos doentes.
Parte do grupo da ONG Virtualidade: da esquerda para a direita, sentados, Max Fakoury, Julio Tolentino, Lucas Campos e João Guilherme Hazin; em pé, Kelen Carolina Cruz, Lívia Aguiar e Bruna Allak
Mariza Tavares
“Sabemos que índices de ansiedade e tristeza afetam os marcadores biológicos. A imersão na realidade virtual pode fazer o paciente ter uma experiência gratificante que envolva o que é significativo para ele. Essa vivência tem um efeito positivo capaz inclusive de melhorar o sistema imunológico”, afirma o professor Julio Tolentino, um dos coordenadores da disciplina de Saúde e Espiritualidade da universidade.
A iniciativa de Campos e Hazin se transformou na ONG Virtualidade, que reúne cerca de 15 alunos e ex-alunos, além dos professores que participam do projeto. No Natal de 2023, o grupo fez uma ação no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da UFRJ. O objetivo da dupla é criar uma rede com instituições de ensino que utilizem a realidade virtual em seus hospitais-escolas, produzindo ciência a partir da coleta de dados. E depois?
“Imagino como seria bom se o SUS adotasse a realidade virtual que, com certeza, traria um impacto positivo para o bem-estar das pessoas. A tecnologia vai se tornando mais barata e, depois do custo inicial para adquirir o equipamento, a manutenção custa muito pouco”, sonha Campos.

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