Entregador chicoteado por ex-atleta representa líder da Revolta da Chibata na Tuiuti: ‘Super honrado’


Max Angelo dos Santos disse estar ‘super honrado’ em representar Almirante Negro, símbolo da luta contra racismo. Em abril de 2023, entregador foi agredido pela ex-jogadora de vôlei Sandra Mathias Correia de Sá. Entregador agredido por mulher no Rio fala sobre representar João Cândido na Tuiuti
O entregador carioca Max Angelo dos Santos – que foi chicoteado por uma moradora de São Conrado, na Zona Sul do Rio, em abril de 2023 – afirmou ao g1 que se sente honrado em representar João Cândido, líder da Revolta da Chibata, no Sambódromo da Marquês de Sapucaí nesta segunda-feira (12).
“Foi uma surpresa receber esse convite para representar o João Candido. Eu nunca desfilei em escola nenhuma. A Tuiuti me apresentou esse projeto, me contou a história de João Cândido e, sem pensar muito, eu aceitei. Acho que o enredo tem tudo a ver com o que aconteceu”, disse Max Angelo.
“A situação não muda muito nos dias de hoje. O que a gente mais vê é trabalho escravo, injúria racial. Eu acho que esse enredo vem para passar uma mensagem para a sociedade. Me sinto super honrado de representar João Cândido na avenida. Fico muito feliz”, completou.
João Cândido Felisberto foi o líder da Revolta da Chibata, em 1910. Um motim de marinheiros que não aceitavam mais receber chibatadas de oficiais brancos da Marinha do Brasil como punição. O ato de coragem e a vida do almirante negro viraram símbolo da luta contra o racismo.
No episódio de abril, a ex-jogadora de vôlei Sandra Mathias Correia de Sá agrediu Max Angelo com a coleira de seu cachorro. Ela foi indiciada por lesão corporal, injúria e perseguição pela Polícia Civil.
“Não é um simples papel que vou representar. Ele foi um herói que ainda não foi reconhecido pela Marinha, mas ainda acho que vai ser reconhecido como um herói nacional. A gente vai usar o carnaval para passar uma mensagem. A gente sabe que o Brasil é uma mistura de raças e culturas. A gente não pode permitir que esse tipo de coisa fique acontecendo. A gente tem que fazer de tudo para a situação melhorar”.
“Eu tento seguir a vida, trabalhando e fazendo minhas coisas. De vez em quando, me pego pensando. Vem aquele filme na cabeça. Para mim, parece que foi ontem. Não é uma coisa que você esquece. Ali, se tratou de um chicote, apesar de ser uma coleira de cachorro”, relembra Max Angelo.
O entregador Max Ângelo dos Santos foi agredido com uma coleira por Sandra Mathias Correia de Sá
Montagem/TV Globo

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