Espanhola sai de caverna após isolamento de 500 dias


Atleta espanhola Beatriz Flamini deixa caverna depois de 500 dias, em Motril, no sul da Espanha, em 14 de abril de 2023.
Jorge Guerrero/ AFP
Um atleta espanhola que passou 500 dias isolada em uma caverna, sem contato direto com o exterior nem luz natural, saiu nesta sexta-feira (14) do local e afirmou que a experiência foi “excelente, insuperável”.
“Estou há um ano e meio sem falar com ninguém, só comigo mesma”, disse Beatriz Flamini aos jornalistas depois de sair, com a ajuda por espeleólogos, de uma caverna que fica a 10 quilômetros de Motril (Andaluzia, sul), permaneceu por 500 dias 70 metros abaixo do solo.
Flamini estava com livros, luz artificial e câmeras para gravar a experiência, mas não tinha telefone nem instrumentos para controlar o tempo. Ela teve o apoio uma equipe técnica que deixava sua comida em um ponto da caverna sem ter contato com a atleta.
“Eu não sei o que aconteceu no mundo (…) continua sendo 21 de novembro de 2021”, disse, ao mencionar o primeiro dia que passou na caverna. “E ao ver todos vocês com máscara, para mim ainda é (pandemia de) covid-19”, acrescentou Flamini, 50 anos, em referência aos jornalistas, que usavam máscaras por segurança.
“Desafios deste tipo já aconteceram muitos, mas nenhum com todas as premissas deste: sozinha e em total isolamento, sem contato com o exterior, sem luz (natural), sem referências de tempo”, disse David Reyes, da Federação Andaluz de Espeleologia, que coordenou a segurança de Flamini.
A experiência, que será tema de um documentário da produtora espanhola Dokumalia, tinha como um dos objetivos registrar a repercussão mental e física de um isolamento como este.
“Foi uma prova de resistência extrema”, disse o ministro do Turismo, Héctor Gómez, que espera que o “teste tenha grande valor científico”.
“Houve momentos difíceis e é verdade que aconteceram momentos muito bonitos e ambos foram os que me levaram a cumprir o objetivo”, disse em uma entrevista coletiva a atleta, que já havia enfrentado períodos de isolamento em montanhas.
Flamini disse que nunca pensou em abandonar a missão, nem mesmo quando enfrentou uma invasão de moscas na caverna. Ela disse que dedicou seu tempo “a ler, escrever, desenhar, tricotar, ser, aproveitar”.
“Não falei comigo mesma em voz alta, as conversas que tive, eu tive de maneira absolutamente interna”, afirmou.
“Eu me dou muito bem comigo mesma”, acrescentou, sorridente.
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