Moradores do bairro Pérola do Maicá participam de oficinas de comunicação popular do Projeto Telas em Rede


Atividade faz parte da segunda edição do projeto que objetiva democratizar o acesso ao audiovisual nas periferias da Amazônia. Projeto Telas em rede leva debate e oficinas com foco no audiovisual ao bairro Pérola do Maicá
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Moradores do bairro Pérola do Maicá, em Santarém, oeste do Pará, estão participando de oficinas de comunicação popular com foco no audiovisual. A iniciativa é do projeto Telas em Rede, que está em sua segunda edição e busca potencializar as vozes das periferias da Amazônia e fortalecer as lutas dos territórios.
A ideia é que ao final das oficinas, os participantes desenvolvam produções audiovisuais, e mostrem a partir das suas próprias vivências o que acontece nos seus bairros, fazendo com que a comunicação se torne aliada na luta em defesa dos seus territórios.
O Pérola do Maicá foi escolhido pelo projeto em razão estar em contexto de construção de projetos portuários, dentre outras ameaças que impactam social e ambientalmente.
O bairro está localizado em área periurbana composta por terra firme, que configura a parte urbana do bairro, e outra rural, destacando a área de várzea com acesso por meio do lago do Maicá, importante ecossistema que desempenha papel fundamental na vida dos moradores e na manutenção da fauna e flora.
A população do bairro é composta por agricultores, pescadores, agroextrativistas, quilombolas, indígenas e ribeirinhos que mantêm dinâmicas produtivas relacionadas à agricultura familiar, à pesca artesanal e ao turismo de base comunitária. Mas, vem sendo ameaçado pelo agronegócio e a expansão de projetos logísticos portuários para o escoamento de commodities, especificamente a soja.
Racismo ambiental é um dos temas debatidos nos encontros com os participantes do projeto Telas em Rede
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“O bairro está inserido em contextos de pressão do mercado imobiliário, avanço do mercado agroexportador, dentre outras ameaças orientadas por interesses privados do grande mercado que desconsidera quem vive nesses territórios e entende a região apenas como mercadoria”, observou o educador popular (Fase) e coordenador do projeto Yuri Rodrigues.
As oficinas são construídas por comunicadores e educadores populares amazônidas da região do Tapajós e Arapiuns, pensando sempre em desenvolver atividades que se encaixem no cenário das periferias da Amazônia. Nesse sentido, são utilizados os celulares dos participantes adaptados com ferramentas acessíveis para que eles consigam produzir materiais de comunicação de onde eles estiverem com os seus próprios equipamentos.
Participantes da oficina de comunicação popular no bairro Pérola do Maicá, em Santarém
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Acesso ao audiovisual
O Telas em Rede busca democratizar o acesso ao audiovisual trazendo, principalmente, a juventude para o debate sobre diversos assuntos, a exemplo do racismo ambiental, que afeta seus territórios, fazendo com que através da comunicação popular eles possam contar suas vivências a partir das suas próprias narrativas, sendo protagonistas das suas próprias histórias, mas também visibilizar as potencialidades que existem na periferia.
Para o jovem William Victor, que dirige o departamento de juventude da Associação dos Moradores do bairro Pérola do Maicá (AMBAPEM), o projeto tem sido muito gratificante, porque também está discutindo sobre questões socioambientais.
“O principal impacto contra o qual a gente vem lutando é desses projetos de portos que estão querendo se instalar aqui no território, que vão impactar principalmente os pescadores e nós também enquanto comunitários, enquanto produtores e agricultores familiares, e a gente enquanto juventude tem se organizado e vendo como a gente se soma nessa luta”, afirmou William Victor.
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