Médica que foi para cima da mãe de paciente diz ter sido ameaçada e que imagens foram editadas; VÍDEO


Discussão ocorreu dentro do Pronto-socorro Doutor Taminato Tion, em Itariri (SP) após a mãe contar à profissional de saúde que a filha, de 3 anos, vomita com remédios via oral. Médica que foi para cima da mãe de paciente diz que mulher foi ao local para ‘causar’
A médica de 63 anos que foi para cima da mãe de uma paciente em um pronto-socorro de Itariri, no interior de São Paulo, disse ao g1, nesta sexta-feira (14), que a mulher foi à unidade para ‘causar’ e que imagens da gravação da discussão foram editadas. Segundo Maria Helena de Santana, ela foi ameaçada pelo marido de Aldeis Mikie, de 31, que teria dito que quebraria os dentes dela.
Em um vídeo encaminhado à reportagem, a médica diz que trabalha há seis anos realizando atendimentos no município. “Quero dar satisfação ao povo de Itariri, que sabe como que eu atendo e como que sou. Esse povo sim merece minha satisfação”. Na sequência, Maria Helena narra o atendimento prestado a Aldeis e à filha dela.
“Ela disse que a filha estava com febre e precisava de injeção. Falei: A senhora deu alguma coisa? Ela disse que não [havia dado] porque ela [menina] vomita. Aí, eu disse: Você tem que tentar, por no suco, alguma coisa assim (…). Ela perguntou: Como? Quero ver se a senhora consegue. Vai tomar no centro do seu [**]'”, detalhou a médica.
A profissional disse que perguntou à mulher qual seria o problema dela, o que acredita tê-la deixado irritada. “Ela começou a me xingar e falar um monte de coisa. Levantei [da cadeira do consultório], não sei exatamente, eu [só] quis deletar isso, [fingir] que não estava ouvindo isso, levantei e falei para ela: ‘Quando a senhora se acalmar eu atendo a criança.
Ao g1, Maria Helena disse que ficou irritada com a situação, pois a paciente ficou gravando ela sem que tivesse autorizado. “Perdi o senso, já eram duas e pouco da manhã. Depois que abri o sistema, [vi que] a criança nem febre tinha. Ela foi ali para causar, foi de propósito”.
“É desagradável para nós médicos ficarmos ouvindo esse tipo de coisa de pacientes. Essa paciente veio para causar”.
Médica que foi para cima de mãe de paciente e a ameaçou diz que imagem foi editada e que mulher foi ao local para ‘causar’
Reprodução
Segundo a médica, o marido da mulher a teria ameaçado após o ocorrido. “Ele foi lá e me ameaçou. O vídeo que ele postou não é íntegro, não está completo, ele editou. Ele fala que vai quebrar meus dentes, que vai me bater [e isso não mostra]”.
Carinho de outros pacientes
Maria Helena contou que tem recebido bastante carinho e mensagens positivas de outros pacientes no município, e que alguns deles disseram que farão ‘panelada’ como forma de protesto, caso ela seja retirada do quadro de médicos da cidade. “A satisfação que tenho que dar é às pessoas que estão no meu WhatsApp me cobrando [para me posicionar]”.
A profissional reiterou que considera importante os pacientes seguirem as orientações dadas pelos médicos. “O carinho que eu tenho é pelo povo que respeita, que recebe minhas orientações. Médico não é só para passar medicação e fazer a vontade do paciente, médico é [para dar] orientação”.
“Eu nunca tinha sofrido [isso] de a pessoa me gravar. [Foi] ousada, sabe? Pondo o celular na minha cara mesmo. E eu detesto a minha imagem, estava acabada, arrasada, sabe? Já estou envelhecida, estava trabalhando há 24h, trabalhei o dia todo”, disse.
A médica confirmou que pegou o celular da mulher, mas que não roubou o equipamento, conforme teria sido acusada. “Eu não me recusei [a atender] e não roubei o celular. Dei o celular para a recepcionista devolver”.
“[Depois] de 36h de plantão iria para casa com a família. Deu tudo errado. Cheguei em casa, encontrei minha família e nem vontade de tomar banho eu tive de tão dolorida de estresse que eu estava. Estou ali para atender e não para isso, esse desaforo. A gente não estuda para ser agredida. Hoje, estou melhor [fisicamente] e emocionalmente também. Muita gente manda mensagens para mim, acho que isso me deu um pouco de estima”, finalizou.
Versão da mãe de paciente
Médica parte para cima de mãe de paciente e faz ameaças durante atendimento
Ao g1, Aldeis Mikie, de 31 anos, contou que a filha, de 3, estava com febre e tosse e, por vomitar sempre que toma remédios, decidiu levá-la ao hospital. Assim que explicou à profissional de saúde que a menina vomitava com medicamentos via oral, as agressões verbais e ameaças começaram. A menina deixou a unidade sem ser atendida.
Imagens obtidas pelo g1 mostram a médica apontando o dedo para Aldeis, que gravou a situação no PS Doutor Taminato Tion. Em determinado momento é possível escutar: ‘Garota, vontade de dar um murro na sua cara’, enquanto uma mulher, que não foi identificada, tenta acalmar os ânimos.
A mãe contou que a médica teria apagado os vídeos, mas conseguiu recuperá-los. Ela ressaltou que a filha não recebeu atendimento médico e está traumatizada, pois estava no colo durante a discussão.
“Me senti humilhada, um lixo. A gente precisa do serviço, saí de madrugada para ir lá para ser atendida e saí chorando. O pior de tudo é o trauma que ela causou na minha filha, que não está comendo, dormindo direito, só chora, só quer ficar no colo. Não quer colo de mais ninguém, só quer ficar no meu, como se ela tivesse com medo de alguém fazer alguma coisa para mim”, disse a mãe.
Médica parte para cima de mãe de paciente e faz ameaças durante atendimento
Arquivo Pessoal e Reprodução
Posicionamentos
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) confirmou que o caso foi registrado como desacato, calúnia, difamação e ameaça na Delegacia de Itariri, que investiga a situação.
De acordo com a pasta, uma mulher de 31 anos e uma médica discutiram após a paciente solicitar medicação para a filha menor de idade. Na ocasião, um homem de 31 anos, invadiu o local aparentando estar alterado. Os envolvidos foram encaminhados à delegacia, onde prestaram depoimento.
Em nota, o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) informa que, até o momento, não foi notificado oficialmente sobre o caso. Denúncias podem ser feitas pessoalmente ou por Correios, na sede ou delegacias regionais do Conselho.
Após o recebimento da denúncia, o Conselho iniciará o processo para apuração do caso mencionado.
Tanto a médica quanto a mãe registraram um BO na Delegacia de Polícia de Itariri. O g1 entrou em contato com a prefeitura da cidade, Polícia Militar (PM) e com o Conselho Federal de Medicina (CFM), mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
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