MPF abre inquérito para investigar a troca de etiquetas em bagagens no Aeroporto Internacional de São Paulo


A preocupação dos passageiros com as bagagens despachadas aumentou depois que a Polícia Federal descobriu um esquema criminoso de troca das etiquetas de identificação das malas dentro do aeroporto de Guarulhos. O Ministério Público Federal em Guarulhos abriu inquérito para investigar a troca de etiquetas em bagagens no Aeroporto Internacional de São Paulo.
O serviço oferecido há anos nos aeroportos brasileiros ganhou novos clientes nos últimos dias.
“Você não tem noção de nada, do que vai acontecer. É meio que na sorte. A gente reza e deixa, entrega”, diz o aposentado José Azevedo Paiva sobre a mala.
A coordenadora de projetos Linda Cristina da Silva Gomes gravou um vídeo e tirou foto de tudo antes de fazer o check-in.
“A gente já tinha o medo de ter as coisas roubadas, furtadas da nossa mala. Agora, a gente ainda corre o risco de ser criminalizado por uma coisa que a gente não fez”, afirma.
Por que você deve tirar fotos antes de despachar a sua mala no aeroporto; confira dicas
Passageira mostra que fez fotos da mala aberta
JN
Têm aqueles que preferem as tradicionais fitinhas coloridas. “Eu vou filmar e fotografar quando eu despachar”, contou a estudante Laurien Cassandra De Oliveira.
A preocupação dos passageiros com as bagagens despachadas aumentou depois que a Polícia Federal descobriu, na semana passada, um esquema criminoso de troca das etiquetas de identificação das malas dentro do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos.
A ação da quadrilha levou as brasileiras Katyna Baia e Jeane Paolini a passarem mais de um mês em uma penitenciária em Frankfurt, na Alemanha. As duas foram libertadas nesta terça-feira (11).
As empresas e as autoridades responsáveis pelo maior aeroporto do país sabiam das fragilidades na segurança interna do terminal de passageiros. No dia 1º de setembro de 2022, a Polícia Federal encaminhou ao Ministério Público Federal um documento com uma lista de recomendações para corrigir esses problemas. O Jornal Nacional apurou que nada foi feito.
Entre as medidas estão a instalação de câmeras fixas nos balcões de check-in, proibir o uso celular nas áreas restritas e fazer um rodízio de funcionários em determinadas funções para evitar rotinas.
Nesta quarta-feira (12), a Procuradoria da República em Guarulhos anunciou a abertura de um inquérito civil para apurar responsabilidades na troca das etiquetas e cobrar providências das empresas que administram e operam no aeroporto.
“A ideia é que a gente possa apurar responsabilidades na área cível e também, ao mesmo, tempo garantir que fatos como esse não aconteçam mais”, afirma Guilherme Rocha Göpfert, procurador da República em Guarulhos.
Passageiros podem registrar mala com etiqueta e as informações nela contidas antes de despachá-la
JN
O chefe da delegacia do aeroporto diz que fazer fotos, vídeos ou caprichar na identificação da bagagem serve apenas como medida paliativa.
“Eficaz não é. Isso aqui é um remendo que dá para fazer enquanto não se melhora o sistema como um todo. Você tem algumas medidas que, na verdade, ajudariam; que é você filmar sua mala com a etiqueta recém-colocada, toda lisinha, com o código de barras da etiqueta – os números da etiqueta, o peso da mala – e você ter isso com você. Se na hora que chegar lá, ela tiver sem etiqueta, talvez informar alguma autoridade ali do local de destino”, orienta Felipe Lavareda, delegado da Polícia Federal Aeroporto de Guarulhos.
Quem viaja se protege como pode e torce para que, no final, retirar a bagagem seja um momento tão feliz quanto despachá-la.

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